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sábado, 17 de outubro de 2009

Estamos sempre sozinhos????


Estava lendo um livro de Osho sobre a questão do amor não cumprir o prometido e ele levanta questões pertinentes aos quais me fez refletir muito....

Vou citá-l0 aqui. Fonte: Sufis: o povo do caminho – capítulo 4

Querido Osho,
Quando eu me apaixono profundamente, me sinto triste ao mesmo tempo. Por que?

“O verdadeiro amor sempre causa tristeza. É inevitável, porque o amor cria um espaço que abre novas portas ao seu ser. O amor cria uma situação crepuscular.

Em momentos de amor, você pode ver o que é irreal e o que é real. Em momentos de amor, você pode ver o que é significante e o que é insignificante e, ao mesmo tempo, você vê que está enraizado no insignificante – por isso a tristeza. Quando você está amando, você se torna consciente do seu potencial supremo, você se torna consciente do mais longínquo pico, mas você não está lá – por isso a tristeza.

Você tem uma visão, mas é uma visão e, em um minuto, ela desaparecerá. É como se Deus tivesse falado com você no sonho e, quando você acorda, você não o vê. Você sabe que algo aconteceu, mas não se tornou uma realidade. Foi apenas uma brisa passando.

Se o amor não causa tristeza, saiba bem que não é amor. O amor, com certeza, criará a tristeza; quanto maior o amor, maior será a tristeza que o acompanha.

O amor abre a porta para Deus. Dois corações ficam juntos, muito próximos, mas nessa proximidade eles podem ver a separação – essa é a tristeza. Quando você está longe, não consegue ver isso tão claramente. Você sabe que está separado, mas quando você deseja ser um com alguém, anseia por isso, há uma grande paixão e você se aproxima, se aproxima, então chega o momento em que você está muito, muito perto, mas você não pode ir além, você está paralisado – de repente você fica triste. A meta está tão próxima e ainda assim fora do alcance.

Às vezes, depois de amar, você cairá numa noite de profunda frustração. Aqueles que não conhecem o amor, não conhecem o verdadeiro sofrimento, a verdadeira angústia. Eles têm um tipo de vida nivelado. Não conhecem os picos, por isso não estão conscientes dos vales. Não atingiram o máximo, assim, pensam que o que estão fazendo, seja lá o que for, é como a vida deve ser. No amor, por um momento, você se torna aquilo que você deveria ser. Mas isso é apenas momentâneo.

Se você quer que isso se torne uma realidade eterna para você, então o amor não será suficiente – a oração será necessária. O amor o faz consciente dessa necessidade – e, a não ser que você comece a mover-se na oração, o amor criará mais e mais tristeza.

Você não pode tornar-se um no amor. Pode apenas ter a ilusão de tornar-se um. E esse é o grande desejo – como ser um, como ser um com o todo, como ficar em harmonia com a realidade, como desaparecer totalmente. Porque se você é, há sofrimento; se você é, há angústia; se você é, há ansiedade. O próprio ego cria o problema. Quando você se dissolve e desaparece, quando você se torna um, alguém é deixado para trás. Você é apenas uma onda nesse eterno oceano da existência. Você não tem um centro próprio; o centro do todo se torna o seu centro. Então a ansiedade desaparece, a angústia desaparece e o potencial tornou-se real. Isso é o que se chama iluminação, nirvana ou realização divina.

O amor se move na mesma direção, mas ele pode apenas prometer, não pode cumprir. Ele não consegue cumprir o prometido – por isso a tristeza. Você sente que está chegando muito perto do ponto onde você pode desaparecer e ainda assim não desaparece. Novamente você começa a distanciar-se de seu amado. Várias vezes você chegará perto e de novo cairá em sua solidão. Mas você nunca se tornará um. E, a menos que se torne um, o êxtase não será possível.

Um existencialista muito famoso, Nikolai Berdyaev, escreveu algumas coisas muito pertinentes, muito relevantes para essa pergunta. Ele diz: ‘Eu sempre tive medo de experiências felizes, divertidas, pois elas sempre me trouxeram as mais vivas memórias da agonia da vida’.

Certamente é assim. É por isso que as pessoas realmente miseráveis não se rebelam. Os proletários nunca se rebelam. Marx era de uma família de classe média, assim como Mao, Lênin, Engels. Todos os revolucionários vêm da classe média, eles não vêm da camada social inferior. Eles não podem vir dali. As pessoas são tão miseráveis que não podem acreditar que exista algo mais. Elas nunca experimentaram nada da alegria. Pelo fato de elas não terem experimentado coisa alguma da alegria, elas não podem se imaginar como miseráveis. Elas não têm comparações.

Se você não souber o que é doença, não saberá o que é saúde. Se você é doente desde o começo – se, no dia em que você nasceu, nasceu doente – e nunca sentiu aquele bem estar chamado saúde, você não será tão infeliz com sua doença. Você estará perfeitamente satisfeito com ela. Você achará que a vida é assim.

É por isso que uma revolução não surge da camada social mais baixa.

Também não surge da camada social mais alta, porque eles têm muito a perder. Eles não podem ser revolucionários. É arriscado demais para eles. O pobre nada tem a perder, mas não pode sentir as suas misérias; o rico pode sentir a miséria, mas ele tem muito a perder. Por isso, todos os revolucionários nascem da classe média – aqueles que conheceram ambos, um pouco da miséria e um pouco do contentamento. A perspectiva deles é muito mais clara. Eles sabem que a felicidade é possível e, por saberem isso, suas agonias são intoleráveis.

Berdyaev diz: ‘Em dias de grande festa eu, quase que invariavelmente, sentia agonia, talvez porque estivesse esperando por alguma transformação miraculosa da costumeira vida prosaica. Mas ela nunca veio.’ Sim, num dia de festa uma pessoa sente mais agonia, porque ela espera mais. Quando você espera mais, naturalmente se sentirá mais miserável se essa esperança não for satisfeita.

Em momentos de amor há uma grande esperança. Você chegou – e ainda assim nunca chega. Você sente que está quase acontecendo – este é o momento – o momento vem e passa e você é deixado novamente na mesma terra deserta em que sempre esteve. As nuvens juntaram-se e nunca chove, o deserto permanece um deserto. Se as nuvens não se juntam, você não terá esperança. Você o conhece como deserto. Você o aceita. Você se ajusta a ele. Mas, de repente, um dia, você vê as nuvens se juntando, você sente pelo vento que vai chover, sente em todo o redor que vai chover, seu coração começa a vibrar, porque agora esse deserto não será mais um deserto, agora as árvores verdes crescerão, pássaros cantarão e haverá celebração... E aquelas nuvens começam a desaparecer.

Você não viu isso? Um dia, caminhando por uma rua escura, de repente um carro passa perto e o inunda de luz. Depois que o carro se vai, a escuridão é maior que antes. O que aconteceu? Você estava caminhando na mesma noite, na mesma escuridão, mas aquelas luzes, aqueles faróis do carro, de repente encheram seus olhos de luz por um momento. Comparando agora, a escuridão é maior. Por alguns minutos, pode ser que você não seja capaz de ver nada. Estará completamente cego. Isso foi feito pela luz.

A situação é exatamente a mesma... Quando você está apaixonado, é inundado de luz. Mas, então, acaba – vem e vai, é momentâneo. E no rastro há grande tristeza.

E, mesmo enquanto o amor está presente, aqueles que são muito perceptivos sabem que não vai ser assim para sempre. É momentâneo. Eles estão até tremendo. O amor está lá, mas eles sabem que vai acabar – por isso a tristeza.

A pergunta foi feita por Ma Prem Abhinava. Ela deve ser muito perceptiva, intuitiva. Ela deve ter um coração que pode sentir as coisas mesmo quando as pessoas comuns não as sentem. Quando há amor, você curte; quando ele se acaba, você fica triste. Mas, se você for muito perceptivo, se tornará consciente de que exatamente no momento em que o amor está presente, a tristeza está espreitando ali na esquina.

Berdyaev diz: ‘O amor, em particular, me parece carregar dentro de si a semente da angústia e freqüentemente fico perplexo com pessoas que puderam experimentar a exaltação do amor como pura alegria e felicidade’. Ele parece estar confuso.

Esse homem, Nikolai Berdyaev, foi um dos maiores existencialista do século XX. E o existencialismo tem penetrado nos mistérios da vida muito profundamente – não até o final, é claro, mas o existencialismo é um bom começo. Ninguém deveria parar nele, porque o começo é negativo. Se você não mergulhar nele, ele permanece negativo. Começa a ter uma qualidade positiva apenas quando você realmente vai fundo nele.

Buda também é um existencialista, mas ele foi até o final. Sartre, Heidegger, Jasper, Marcel, Berdyaev, eles também são existencialistas, mas estão parados em algum lugar no meio, não foram até o final. Por isso eles permanecem negativos. Mas o insight está certo – nas linhas certas, na direção certa. Os existencialistas falam de desespero, angústia, ansiedade, depressão, tristeza, miséria – tudo o que é sombrio, triste. Eles nunca falam de bênção, de alegria, de celebração. Mesmo assim, gostaria de dizer que eles estão se movendo na direção certa. Se eles se moverem um pouco mais, logo encontrarão a alegria surgindo.

Fiquei sabendo sobre uma senhora muito famosa, muito respeitável, muito conhecida na mais alta camada da sociedade. Numa festa onde todas as pessoas proeminentes do país estavam presentes, ela se embebedou. Alguém a provocou e ela ficou com tanta raiva que perdeu o controle, seu controle usual. Ela perdeu a calma e disse umas palavras vulgares. As pessoas ficaram chocadas. Não podiam acreditar que aquelas palavras feias vinham daquela senhora respeitável. Estavam tão chocadas que o silêncio caiu sobre elas e então ela também ficou chocada pelo choque delas.

Ela entendeu o que tinha feito. Ela sorriu – um doce sorriso que apenas as damas sabem dar – e disse, ‘Sinto muito. Parece que estou me tornando existencialista’.

Essa é a situação agora. O existencialismo tem falado apenas sobre coisas vulgares, o doente, patológico, negativo – o lado escuro da vida.

É como se a morte fosse o objeto da meditação. Mas, se você meditar o suficiente sobre a morte, você ficará surpreso porque, no centro da morte, surge a vida.

Berdyaev diz: ‘O amor, em particular, me parece que carrega dentro de si a semente da angústia e freqüentemente fico perplexo com pessoas que puderam experimentar a exaltação do amor como pura alegria e felicidade’. Eros está em angústia, pois se preocupa e está profundamente enraizado no mistério do tempo e da eternidade. Preocupa-se com o tempo, ansioso pela eterna satisfação e, ainda assim, nunca a alcança.

‘Do mesmo modo, há angústia no sexo. O sexo mostra o homem ferido, partido e incapaz de alcançar a plenitude verdadeira através da união. Ele manda o homem ir para um outro lugar, mas ele retorna uma vez mais para si mesmo e a angústia de seu anseio pela unidade continua não aliviada. O desejo de totalidade não consegue ser satisfeito através do sexo; pelo contrário, ele serve apenas para aprofundar as feridas da desunião.’

A palavra ‘sexo’ é de origem latina – sexus, que significa divisão. Sexo divide. Promete unir, mas nunca une. Na realidade, ele divide. Mas há um grande desejo no homem de ser unido. A criança no útero da mãe está unida com a existência. Ela não tem uma realidade separada. Ela é parte do todo. Ela não tem uma personalidade, nem uma consciência mais elevada. Ela é, mas ainda não é um ego. E isso permanece como o nosso mais profundo anseio – como entrar no útero da existência novamente.

Psicanalistas dizem que o esforço do homem para penetrar na mulher quando faz amor é, na verdade, um esforço para entrar no útero novamente. E há alguma verdade nisso. Como entrar naquele estado de calma absoluta, quietude, quando o ego ainda não foi acionado, quando tudo está em paz e harmonia?

Quando um homem e uma mulher se unem em amor, eles estão tentando criar uma unidade – por isso a atração pelo amor e pelo sexo. Mas isso nunca acontece. Ou acontece apenas por tão pequena fração de segundo que realmente não importa se acontece ou não. Na verdade, pelo contrário, cria mais desejo pela unidade – mais desejo e mais anseio pela unidade suprema. E, todas as vezes, a frustração vem à tona. Se você tiver olhos para ver e coração para sentir, você ficará triste; toda vez que estiver apaixonado, você ficará triste. Novamente a promessa e de novo você sabe que não será realizada.

Então, o que fazer? Deixe a sua tristeza no amor tornar-se a peregrinação para a oração. Deixe essa experiência de tristeza tornar-se uma grande meditação em profundidade. Primeiro você tem que dissolver o ego em seu próprio ser interior; você não pode dissolvê-lo em ninguém mais. Ele voltará. Apenas por um momento você poderá criar um estado de esquecimento.

O sexo funciona como álcool, um álcool natural. É fornecido pela química do corpo, mas é tóxico, é uma droga. É uma química como o LSD, a maconha – a única diferença é que ele é bio-química, já é fornecido ao corpo pela natureza. Mas é um fenômeno químico. Através da química você tem um vislumbre. Isso é o que acontece quando você toma LSD – através da química, você tem um vislumbre. É isso que acontece através de todos os tipos de tóxico – por um momento você se esquece de si mesmo.Mesmo esse esquecimento momentâneo abre uma janela.

Mas esquecimento não é uma dissolução. Você não está dissolvido. Você está lá, esperando. Quando o efeito da droga acabar, o ego o agarrará novamente. O ego tem que ser dissolvido, não esquecido. Essa é a tristeza do amor: o ego é apenas esquecido e só por um momento. Em seguida ele volta. E volta vingativo. Por isso você encontrará amantes brigando continuamente. O ego torna-se ainda mais sólido, cristalizado.

E é por isso que você encontra amantes pensando em termos de o outro o estar enganando. Ninguém está enganando. Mas você desejou, esperou, fantasiou um estado de unidade, e você estava pensando que aquele grande êxtase iria acontecer, e não aconteceu – alguém o enganou. É claro, naturalmente, o outro torna-se o objeto. E o outro também pensa do mesmo jeito – que você o enganou. Ninguém está enganando. O amor enganou vocês dois. A inconsciência os enganou. A química enganou vocês dois. O ego os enganou. Se vocês compreenderem, não brigarão um com o outro.

Essa revelação da tristeza através do amor se tornará uma revolução, uma mudança radical em sua vida. Você começará a se mover em uma nova direção onde o ego possa ser dissolvido.

O sufismo é isso – como dissolver o ego.

E o amor dá grandes insights. Por isso eu sou totalmente a favor do amor.Mas, lembre-se bem, você tem que ir além dele. Sou totalmente a favor dele, para que você possa ir além. Ele tem que se tornar um trampolim. Não sou contra o amor, porque as pessoas que são contra ele permanecerão abaixo dele, nunca irão além. As pessoas que não conheceram o momento extático do amor não conhecerão a tristeza dele – como podem conhecer?

Um monge vivendo em um mosteiro católico ou um muni jaina levando uma vida asceta – como eles vão conhecer a tristeza do amor? Eles renunciaram ao amor. E, nessa renúncia, eles renunciaram à tristeza também.
E sem conhecer a tristeza do amor você não pode voar para o mundo da oração ou da meditação. Essa experiência é uma grande necessidade.

Algumas coisas mais... A tristeza que o amor traz é muito potencial, muito profunda, muito saudável, muito útil. Ela o levará a Deus. Por isso, não a encare negativamente, use-a. Essa tristeza sentida no amor é uma grande bênção. Ela simplesmente lhe mostra que a sua aspiração está além da capacidade do amor, sua aspiração é pelo supremo. O amor pode lhe dar apenas uma satisfação momentânea, mas não uma satisfação eterna. Sinta-se grato pelo amor ter-lhe dado uma satisfação momentânea e ter-lhe feito consciente de uma tremenda tristeza dentro de você.

Quando as pessoas estão juntas no amor, elas se sentem muito sozinhas. Ninguém jamais sente tanta solidão quanto os amantes. Você pode se lembrar disso? Enquanto sentado, segurando a mão de sua bem-amada numa noite de lua cheia, você não sentiu isso? – totalmente sozinho. O outro está lá, você está lá e ambos estão um para o outro, não há nenhum conflito – e, mesmo assim, não há nenhuma ponte. Você está sozinho, ela está sozinha... Duas solidões sentadas juntas. E cada um tornando o outro mais consciente da solidão dele ou dela.

O amor é uma grande experiência. Faz você sentir uma verdade absoluta – que você nasceu sozinho, vive sozinho e vai morrer sozinho. E não há nenhum modo de afogar essa solidão em drogas – quer essas drogas sejam fabricadas pela natureza nas árvores, ou pelas fábricas ou no corpo. Não há meio de afogar essa solidão. A pessoa tem que entender essa solidão, tem que penetrar nessa solidão, tem que ir até seu núcleo. E quando você atingir o núcleo de sua solidão, de repente não é mais solidão, é a própria presença de Deus. Você é sozinho porque Deus é sozinho.

Maomé diz freqüentemente: ‘Não há nenhum Deus exceto Deus. Deus é um’. Seguindo Maomé, um grande místico Sufi, Shapistari diz: ‘Conheça-se, veja-se, ame-se, seja’. Você já é isso, mas tem que penetrar no seu interior.
Sua amada o fará consciente de que não há nenhum modo de sair e tornar-se um. O caminho é para dentro. Entre. O amor, naturalmente, conduz as pessoas à meditação. Os amantes tornam-se meditadores. Somente os amantes tornam-se meditadores.

Por isso, Abhinava, é uma bênção você ter sentido tristeza durante aqueles belos momentos de amor. Compreenda isso. Entenda a mensagem. O seu inconsciente lhe deu a mensagem para agora voltar-se para dentro. O bem-amado reside em você; o bem-amado não está do lado de fora. Ele mora dentro do seu próprio coração. Nenhum outro amor e nenhum outro bem-amado irá satisfazê-la, exceto Deus – por isso a tristeza.”

Para pensar... Não acham????

Christiane...




quarta-feira, 30 de setembro de 2009

“A atualidade de Spinoza em sua análise no Tratado Teológico Político”


Hoje em dia não é a toa que ética e moral foram dissociadas uma da outra em seus conceitos, afinal vivemos em uma época na qual o “politicamente correto” é o que importa.


Spinoza, que a meu ver é um homem de uma ética exemplar, no Tratado Teológico Político página oito trata da questão ética e moral intrinsecamente e de muitas outras como a liberdade, o utilitarismo, a hipocrisia e politicagem a qual também abordarei nesta reflexão quando escreve: “Se, efetivamente, o grande segredo do regime monárquico é aquilo que acima de tudo lhe interessa é manter os homens enganados e disfarçar, sob o especioso nome de religião; o medo em que devem ser contidos para que combatam pela servidão como se fosse pela salvação e acreditem que não é vergonhoso, mas sumamente honroso, derramar o sangue e a vida pela vaidade de um só homem...”.


Diante tantos problemas que não são de hoje e até anteriores ao tempo de Spinoza nos parece que o caos ético que vivemos hoje nada mais nada menos é uma conseqüência natural da história das ações humanas não só dentro da política, como dentro da religião, ou melhor, na própria vida. A dicotomia religião e vida corrente, por exemplo, dentro do meio religioso e político, na época de Spinoza consideravam os cargos eclesiais mais pelo seu título do que pela sua real função e ele até mesmo em seu texto coloca a questão da avareza e ambição na quais os religiosos queriam ser adorados e que a religião virou mais um culto de “adulação” a Deus do que um real proposta de amor. Hoje em dia isso não é diferente basta observar algumas igrejas protestantes pentecostais a qual se importam com o dízimo e suas posições sociais. Há até mesmo avareza, ambição e dicotomia dentro da Igreja Católica e outras que enchem nossas páginas de jornal nesta disputa de poder.


Será que a lei hoje em dia visa manter o poder vigente ou visa o real bem do cidadão? A própria política possui uma ética própria na qual nós cidadãos somos obrigados a engolir e ao mesmo tempo percebemos que os que estão lá dentro da política se não adentrarem neste “esquema maluco” nada poderá fazer. Onde há liberdade nisso tudo?


O que espantava Spinoza e ao mesmo tempo nos espanta é justamente essa contradição que beira a loucura, isto é, viver dentro de uma Monarquia já se espera certo tipo de comportamento entre seus governantes políticos, agora dentro de uma República e que as autoridades ainda se aproveitam da religião, da ignorância da maioria para assim continuar tudo igual!A religião virou um grande teatro segundo Spinoza e perdeu seu sentido de existência e digo que o mesmo pode dizer hoje. Há uma carência de sentido no ser humano, mas ao mesmo tempo a incredulidade devido um passado cheio de manchas no que concerne não só a religião, até mesmo a política. A religião se tornou sinal de preconceito e o homem religioso é visto como um ser que não pensa apenas segue e que suas opiniões devem ser seguidas ou não terão “piedade”, isto é, todos os conceitos foram e estão deturpados na qual foi onde acredito a palavra “moral” ter um peso muito maior do que realmente possui e estar totalmente desvinculada do conceito de ética.


Particularmente hoje estou em um retiro espiritual. Sei que não deveria estar fazendo um trabalho de faculdade, porém não consigo e não quero desvincular jamais a filosofia e o filosofar de todas as minhas esferas vivenciais, além de que, Spinoza exercer muita influencia sobre mim justamente por eu almejar a mesma liberdade e ética que ele viveu. Digo isso porque hoje o sacerdote falou: “O olfato não sente se não recebermos estímulo, assim é nosso espírito que necessita desta ascese, luta e exercício diário... E a santidade não se consegue sem a ascese e principalmente sem o conflito, afinal ela é fruto do conflito, pois por maiores que sejam nossas contradições, paradoxos e limitações é de grandes conflitos que surgem as maiores soluções.”.

Ainda percebo que estamos longe de viver em um mundo ideal, porém a felicidade é agora com os conflitos, pois é o preâmbulo da felicidade no céu. Quem consegue ser feliz com Deus aqui na terra com certeza será feliz com Ele lá também ou senão não vai se acostumar lá não (risos) e se Deus nos deu a liberdade é porque Ele não nos quer escravos.


Ao mesmo tempo percebo que todos e até mesmo a história, as instituições precisam de um “kairos”, isto é, precisam de seu próprio tempo para amadurecer e que a ética e a moral no mundo de alguma forma funciona desta maneira observada cuidadosamente não por um Senhor de escravos lá em cima, mas por um pai que ama seus filhos e que se não fosse assim sabe onde estaríamos...


E concluindo digo que o texto de Spinoza de certa forma me faz ter a certeza de que o real problema não está na religião, no dogma, na lei positiva, na política, na lei natural ou em Deus, o real problema está no próprio homem, isto é, em nós mesmos.


Acredito que tudo isso seja uma reflexão para pensarmos nesta questão politíca e numa transformação neste sentido do "ter para o ser"...


Grande beijo.


Christiane.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

No silêncio surgem respostas....

" Aprendi o silêncio com os faladores, a tolerância com os intolerantes, a bondade com os maldosos; e, por estranho que pareça, sou grato a esses professores".
(Khalil Gilbran)

"Se você não consegue entender o meu silêncio de nada irá adiantar as palavras, pois é no silêncio das minhas palavras que estão todos os meus maiores sentimentos".
(Oscar Wilde)

"Pois o silêncio não tem fisionomia, mas as palavras muitas faces..."
(Machado de Assis)

"O silêncio é a virtude dos loucos".
(Francis Bacon)

"Como a abelha trabalha na escuridão, o pensamento trabalha no silêncio e a virtude no segredo".
(Mark Twain)

"Minhas desequilibradas palavras são o luxo do meu silêncio".
(Clarice Lispector)

"Em cada um de nós há um segredo, uma paisagem interior com planícies invioláveis, vales de silêncio e paraísos secretos".
(Antoine de Saint-Exupéry)

"As mais lindas palavras de amor são ditas no silêncio de um olhar."
(Leonardo da Vinci)

"Há coisas que melhor se dizem calando".
(Machado de Assis)

Shiiiiiii............ Já escreveu demais...... Silêncio............

Chris :)

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Uma pausa durante o estudo... Uma reflexão depois de tanto ler, um pensar depois de tanto viver...


Pessoal,


Tenho me recuperado aos poucos e agora entrei em semana de provas... Finalizei a minha monografia e agora entrei na fase de correções e ajustes. Foi um tempo de muita solidão e muita dor, não imaginei que a cirurgia mexeria tanto comigo.


Como tudo passa nesta vida, assim acontece comigo também. Aos poucos vou me estabelecendo e com toda esta experiência aprendendo, vivendo. Hoje como voltei para casa mais cedo e a disciplina que estudei me fazia refletir muitas questões entre as quais todas as experiências que tenho vivido nos últimos mêses. Remexendo em meus livros e textos, achei uns textos antigos dos tempos que estudei teatro e me deparei com um fantástico ao qual quero compartilhar com vocês....


"Depois de algum tempo você aprende a diferença, a sutil diferença, entre dar a mão e acorrentar uma alma.


E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos e o futuro tem o costume de cair em meio ao vazio.


E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que a companhia nem sempre significa segurança.


E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.


E começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.


E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...


E aceita que não importa quão boa seja a pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.


Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.


Descobre que se levam anos para construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, dos quais se arrependerá pelo resto da vida.


Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa.


Por isso, devemos sempre deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas (pode ser a última vez que a vejamos).


Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.


Aprende que, ou você controla seus atos ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja a situação, sempre existem dois lados.


Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não lhe dá o direito de ser cruel.


Descobre que, só porque alguém não o ama do jeito do qual você quer ser amado, não significa como esse alguém deixe de amá-lo com tudo o que pode, pois existem pessoas as quais nos amam, mas simplesmente não sabem demonstrar ou viver isso.


Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido.


O mundo não pára para que você o conserte.


Aprende que o tempo não é algo que possa voltar atrás.


Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.


E você aprende que realmente pode suportar,


E que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais.


E que realmente a vida tem valor e que você tem valor diante da vida! "


Autor: (William Shakespeare)


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"Aprendi que "amores eternos" podem acabar em uma noite.
Que grandes amigos podem se tornar grandes estranhos.
Que o amor, sozinho, não tem a força que imaginei.
Que ouvir aos outros é o melhor remédio e o pior veneno.
Que a gente nunca conhece uma pessoa de verdade, afinal gastamos uma vida inteira para conhecer a nós mesmos.
Que os poucos amigos que nos apoiam na queda, são muito mais fortes do que os muitos que nos empurram.
Que o "nunca mais" nunca se cumpre.
Que o "para sempre" sempre acaba.
Que a minha família, com suas mil diferenças, está sempre aqui quando eu preciso.
Que vou sempre me surpreender, seja com os outros ou comigo.
Que vou cair e levantar milhares de vezes.
E que apesar disso, ainda não vou ter aprendido tudo"
(Autor desconhecido)


"Amor fati"... E mesmo assim, eu, Christiane viveria tudo isso de novo infinita vezes tal qual fosse eternamente....


Grande beijo!


Christiane.
Será que as mulheres estão mais infelizes que há duas décadas atrás? Convido-os a lerem e a comentarem.... :

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Uma pausa longa no blog devido à cirurgia


Pessoal não sei se todos sabem iniciei a lutar judô e jiu jitsu. Estou com sete blogs, enviei vários artigos no Sociedade Católica e Pastoralis para irem publicando aos poucos assim como em outro site que escrevo regularmente chamado "Gravidez e Maternidade" e tenho um perfil na WEB artigos onde acabaram publicando os 19 artigos que enviaram de uma só vez!

Eu me acidentei no treino de judô e rompi completamente o ligamento do joelho direto. Vou operar agora sexta feira bem no dia do aniversário de seis aninhos da Victória. Serei internada às 10 horas e serei operada às 13 horas. MInha previsão de alta será no sábado mesmo ou no mais tardar no domingo.

Olha como fiquei um mês até decidir de operava ou não e depois que fiz a ressonância... Mas fiquei muito chique ... Voltei a usar meus vestidos indianos e bengala... Aí Aline e Rafael, podem fazer um álbum sobre isso hahahahahahaha......


Quero aproveitar este tempo para fazer minha recuperação na biblioteca da faculdade e terminar o meu TCC, inclusive ainda faço parte de um grupo de pesquisa lá e estou escrevendo um capítulo de um livro sobre filosofia e educação para ser publicado em dezembro.

Eu me focarei nos estudos de corpo e alma e deixarei meus blogs, orkus, msn e tudo mais a segundo plano, afinal os fins de semana preciso ficar com a minha família também.

Voltarei a escrever no blog em dezembro depois de tudo isso passar , afinal depois da recuperação cirurgica virá a fisioterapia... Ai ai ai... Saí de outros grupos de pesquisa aos quais fazia parte também e me foquei mais no que era necessário, porém não me esqueço dos meus amigos e sempre que tiver um tempinho estarei por aqui dando um alô, mandando um beijo, além é claro de sempre rezar por vocês, afinal não é por estudar muito é que deixei de ser católica... Só voltarei a escrever nos blogs depois de tudo acabar, isto é, em dezembro...

AMO VOCÊS e PEÇO ORAÇÕES....






Grande beijo. Christiane...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

A Verdade na Filosofia


POR GABRIEL VIVIANI


INTRODUÇÃO

Por Christiane Forcinito Ashlay Silva de Oliveira


Hoje numa maravilhosa aula de ética que tive... Ufa e que bom que minhas aulas retornnaram... E que pena que é meu último semestre... E que maravilhoso pensar que mais uma etapa acaba porém outras se iniciam, voltei para casa com meus questionamentos e tarefas a fazer...


Afinal, tarde livre doas filhas. Tudo volta ao normal, aulas recomeçaram e mesmo com minha opqração a ser agendada em brve não desanimo. FUi ver os sites onde escrevos, retomar contatos com editores, colocar matérias em dias e estudar o que foi dito hoje em aula.


Li um excelente texto em um site onde possuo uma coluna e não me contive em "ousar" publicá-lo aqui pois muito me fez refletir não só na síntese que estou vivendo como em tudo que foi dito em aula e no pós modernismo que vivemos hoje em dia.


Já digo de antemão que este texto não é meu e será indicada a fonte e o autor! Leiam com atenção e sabedoria. Boa leitura!


Christiane....


FONTE: http://blogdogabrielviviani.blogspot.com/ que foi publicado em:




"A VERDADE NA FILOSOFIA"


Há mais de dois mil anos o prefeito da província romana da Judeia questionava: Que é a Verdade? É possível que Pôncio Pilatos não tivesse plena consciência da gravidade desta questão, e nem tampouco estivesse interessado na história desta problemática fundamental. Mas o fato é que ele expressara em pouquíssimas palavras a dúvida que desde sempre angustiou o homem. A busca pela realidade, pelo verdadeiro é algo que perpassa o essencial de todas as religiões, e alcança um grau de sofisticação intelectual no pensamento grego: aletheia é o objetivo principal dos maiores pensadores da antiguidade.



De fato, só há filosofia propriamente dita quando se almeja conhecer o real, aquilo que está por detrás das aparências, do mutável, e que subsiste para além do inconstante. Alguém que desconfie da existência da Verdade não pode jamais compreender plenamente o sentido do exercício filosófico, e nem tampouco realizá-lo, já que não havendo uma Verdade todo questionamento tornar-se-ia infrutífero. Por que alguém perderia seu tempo indagando sobre isso ou aquilo se não há nenhuma possibilidade de se chegar a conclusões definitivas? A filosofia subentende, portanto, a existência de algo real, imutável, e que, além disso, possa ser conhecido pela razão humana na medida em que esta encontra o caminho correto. Nos tempos atuais vemos que a verdadeira vocação da filosofia foi muitas vezes vilipendiada, e que determinadas linhas de pensamento incorreram em erros grotescos como, por exemplo, supor que o mero questionamento represente o fim último da pesquisa. A dúvida metódica cartesiana tornou-se a ferramenta de investigação mais utilizada pelos modernos, não no sentido proposto por René Descartes - ou seja, indagar para conhecer -, mas sim como uma forma de afrontar as tradições, de destruir a herança cultural do homem, e lançar a civilização no beco sem saída do relativismo. Contudo, a tão afamada frase que diz "não existe verdade absoluta" é uma farsa que não se sustenta, pois todo aquele que admite tal coisa está, no mesmo momento, afirmando algo de maneira peremptória, está constituindo uma verdade, e tornando uma contradição aquilo que ele mesmo havia proposto. Deste modo, podemos concordar que só existe filosofia porque existe uma realidade imutável, e que filósofo é aquele que compreende a existência do real, sente-se atraído por ele e dedica-se a obter seu conhecimento pleno. Não é filósofo, de fato, aquele que duvida da Verdade.



Através de Sexto Empírico nos chegam fragmentos de um longo poema escrito por Parmênides. Poucos pensadores fizeram tanto pelo estabelecimento da Verdade como algo absoluto quanto esse pré-socrático, podendo até mesmo se dizer que as bases do raciocínio lógico encontram suas origens nas especulações de Parmênides. Segundo ele, um objeto pode existir ou não, pode ser ou não, tornando-se impossível, portanto, que uma coisa seja e não seja ao mesmo tempo. Esse tipo de pensamento pode parecer estranho à primeira vista, já que o mundo natural nos confronta continuamente com transformações, paisagens que se modificam ao sabor dos ventos e dos tempos, seres que nascem e morrem, coisas que, enfim, parecem existir agora e não existir segundos depois. Essa confrontação entre o que é e o que não é, entre o ser e o não ser, entre o âmbito do imutável e o mundo das aparências é, sem dúvida nenhuma, o tema central da filosofia grega, e Parmênides mergulha profundamente nessa questão. Permanecer no devir e aceitá-lo como única realidade possível seria aprisionar-se no relativismo, constatar a inexistência da Verdade ou sua condição inacessível. De fato, a natureza revela-se como um permanente ir e vir, um fatídico nascer e perecer de todas as coisas, sendo compreensível a concepção do eterno retorno entre os antigos, já que, ainda imersos numa cultura pouco desenvolvida e tendo um conhecimento precário a respeito do sobrenatural, poucas forças tinham para transcender a materialidade. É justamente disso que Parmênides tenta fugir ao estabelecer a existência de um Ser imutável, perfeito, imóvel e imortal. Não obstante seu monismo estático parecer um tanto radical, o filósofo esforça-se por preservar a possibilidade do conhecimento, a inalterabilidade do real, e assim salvaguarda o ser humano de um mundo caótico e sem sentido. Num dos trechos de seu poema, Parmênides descreve a viagem imaginária que faz em busca da Verdade: "... as filhas do Sol se apressavam por levar-me para a luz, depois de abandonarem a morada da Noite e de com suas mãos terem retirado os véus da cabeça". A jornada rumo ao conhecimento é, desta maneira, uma passagem da ignorância para o saber, da escuridão para a luz, e apenas se nos mostra justificável porque em seu término existe aquilo que não se transforma nunca, que permanece sempre o mesmo, representando um oásis de paz e satisfação para a nossa natureza angustiada e indecisa.



A filosofia revela-se, neste sentido, uma herdeira de toda a tradição religiosa dos ancestrais. É sabido que depois de Hermann Diels e sua obra máxima - Os Fragmentos dos Pré-Socráticos - o estudo referente a esse período histórico desenvolveu-se de maneira impressionante, proporcionando o surgimento de outros especialistas de grande importância, tais como Werner Jaeger, Charles H. Kahn, F. M. Cornford, Olof Gigon, G. S. Kirk, J. E. Raven, M. Schofield, etc. Atualmente não parece haver dúvida de que o pensamento grego foi muito mais do que apenas uma superação da mitologia; a bem da verdade, devemos entendê-lo como uma evolução das imagens alegóricas do mito, um refinamento levado a cabo pela razão. De fato, muitos dos conceitos encontrados na filosofia pré-socrática, ou mesmo em Platão e Aristóteles, estavam já presentes na Teogonia de Hesíodo e nas cosmogonias órficas, mostrando que os gregos não desprezaram o conhecimento religioso, nem tampouco pretenderam diminui-lo diante da pretensa superioridade de um racionalismo semelhante ao defendido pelos iluministas. A filosofia helênica representa, dentro daquilo que comumente chamamos revelação natural, uma espécie de coroação da busca humana pela Verdade, a mais bem acabada elaboração intelectual desenvolvida por um povo cuja genialidade ousou tomar as intuições sobre realidades sobrenaturais, despojá-las dos elementos meramente fantasiosos, e apresentá-las num grau de pureza que até hoje nos espanta.



Estudando as diversas crenças religiosas de forma comparativa, percebemos uma constante que, certamente, antecipava essa busca humana pela maior compreensão do real. Trata-se da prática de sacralizar lugares, ofícios e relações. Na concepção arcaica o mundo se encontrava dividido em dois espaços claramente definidos: a ordem e o caos, o sagrado e o profano. Em História das Crenças e das Ideias Religiosas, Mircea Eliade afirma: "... o território ocupado é previamente transformado de caos em cosmo; em razão do rito, ele recebe uma forma, e torna-se real". O primitivo é um homem essencialmente religioso, e todo seu ambiente, sua atividade e sua vida encontram-se marcados pelo selo inconfundível do sagrado. Fora da sacralidade não se concebe nenhuma forma de existência; para além do rito, do contato com a divindade, das práticas purificatórias e das celebrações religiosas tudo é confusão e sofrimento. Esse dualismo deve-se, principalmente, ao caráter maligno que se atribuía ao conceito de caos. Em inúmeras tradições podemos identificar o arquétipo de um tempo primordial, no qual reinavam a ordem, a felicidade e a paz, cuja harmonia foi quebrada pela ação de um ser maligno, pelo descuido de um deus desastrado ou pelo pecado do próprio homem. Nas narrativas mesopotâmicas, por exemplo, essa ordem é continuamente perturbada pela "Grande Serpente". Na mitologia grega deparamo-nos com diversos relatos sobre o mesmo tema: na Teogonia, por exemplo, referindo-se aos homens existentes sob o reinado de Cronos, Hesíodo diz que ‘viviam como deuses, com o coração isento de cuidados, a salvo de dores e misérias’, até que essa divindade fosse destronada por Zeus, seu próprio filho; também nos mitos de Prometeu e de Pandora repete-se o mesmo tema, ou seja, o desafio lançado à ordem estabelecida, tanto movido pelo orgulho quanto pela curiosidade, e que teve por consequência o deflagrar-se da desordem, das dores e do sofrimento. Sem dúvida nenhuma, o relato mais conhecido é aquele que se encontra no Gênesis: ludibriados pela serpente, Adão e Eva tomam do fruto proibido, desobedecem ao mandamento de Deus, e são lançados para fora do Éden, onde deverão padecer todos os infortúnios de seu pecado. Aí está o tema do Paraíso perdido, tão comum na história da humanidade e tão central na crença dos povos primitivos. É possível que surja, neste momento, a questão: como isso se relaciona com a busca pela Verdade? A fim de desvendar uma problemática dessa natureza faz-se necessário mergulhar profundamente no estudo das religiões comparadas, desvelar os mistérios da psicologia de nossos ancestrais, compreender suas agonias e esperanças, seus sofrimentos e consolações. Apenas assim será possível entender o quanto nos encontramos ainda tão próximos deles; elo mais recente desta cadeia, herdamos o mesmo fundo cultural milenar, e padecemos as mesmas angústias, ainda que transmutadas em formas modernas. Percebemos isso claramente no modo como os ancestrais encaravam a perda desse estado paradisíaco: a falta cometida perturbara a disposição original, afastara a divindade e transformara em caos aquilo que antes era uma perfeita harmonia. É justamente neste ponto que nos deparamos com o fenômeno da sacralização. Para o homo religious viver num mundo caótico representa sofrer todas as consequências do pecado; distante dos deuses, da imortalidade e da bem-aventurança não lhe resta nada além da amargura. Sobre os ombros do homem primitivo pesam o ininterrupto devir, as agruras do tempo e, principalmente, a morte. Pois o pecado privou-os da aliança com a divindade e fechou-lhes a porta para a vida eterna. Imersos num mundo sem sentido, onde se encontra ausente a harmonia primordial desejada por deus, nossos ancestrais tentam desesperadamente recuperar aquilo de que foram privados, e através de ritos conferem a lugares, objetos, ofícios e relações o caráter de sagrado. Uma pedra sacralizada torna-se diferente de todas as pedras existentes, por exemplo, não por algo que seja intrínseco à sua materialidade, e sim por participar daquilo que se entende por divino. Para além daquela pedra tudo é caos e irrealidade; nela reinam, no entanto, a harmonia, o selo da imortalidade e o mistério do sagrado. E assim chegamos ao ponto essencial dessa relação que há entre as tradições religiosas e a filosofia, no que tange à busca pela Verdade. Na visão primitiva só é real ou existente aquilo que se encontra abrangido pelo âmbito do divino. Ao chegarem a um novo sítio, a primeira providência tomada pelos nossos ancestrais era a de erguer um altar, na intenção de estabelecer ali uma ligação com as divindades, dando forma a um território antes caótico. Ora, se é o divino que confere um caráter ontológico ao mundo, se apenas ele pode ser considerado intrinsecamente real - diferentemente do que está além, ou seja, a irrealidade caótica -, disso deduzimos que nas tradições ancestrais a Verdade foi, desde sempre, um atributo do sagrado.



É em Platão que o laço se fecha ainda mais, unindo numa única expressão os conceitos de Verdade contidos no pensamento religioso e no filosófico. Para compreendermos isso tenhamos sempre em mente o que foi exposto sobre as tradições primitivas: o divino é aquilo que atribui o ser, a realidade às coisas e, sendo assim, apenas a ele podemos conferir-lhe uma existência imutável, somente ele é e continua sendo, a despeito do vaivém caótico da natureza. Temos aqui, então, o conceito de que a verdadeira realidade reside no sobrenatural, e que o mundo só pode ser considerado real na medida em que participa da sobrenaturalidade. Assimilado esse tema tão importante referente às tradições ancestrais, creio ser possível aportarmos na Teoria das Ideias de Platão. Segundo o discípulo de Sócrates, há um mundo superior, para além do mundo material, no qual residem as Ideias. Tais Ideias são, de fato, a verdadeira realidade, e seus correspondentes não são nada além do que apenas um reflexo. Uma viagem pelos diálogos platônicos revela-nos isso com muita clareza: tanto no Cármides, quanto no Laques, no Eutífron e no Hípias Maior, após conduzir os personagens por extensos debates sobre a temperança, o valor, a piedade ou a beleza, Platão comumente os leva a compreender a imprecisão desses conceitos humanos, mostrando que todas essas coisas são, no entendimento e na vivência das pessoas, tão-somente um reflexo das verdadeiras ideias de temperança, valor, piedade e beleza. Muitos especialistas discutiram a respeito da correlação entre o mundo Ideias e o mundo divino no pensamento de Platão, chegando a conclusões diferentes. Não obstante, creio ser inevitável admitir-se a similitude entre as tradições religiosas primitivas e o idealismo platônico no que tange à questão da realidade: ambos atribuem-na a um mundo que se encontra acima do natural, para além da materialidade; além disso, concordam ao afirmar que a Verdade (o real) é imutável e, portanto, absoluta, ao contrário da natureza ou da opinião dos homens, sempre inconstantes. Trata-se, enfim, da velha oposição entre doxa e episteme. O pensamento de Platão efetuou uma identificação tão perfeita entre a realidade e o mundo das Ideias, atribuindo a estas últimas o caráter da imutabilidade, imortalidade e imobilidade, e afastando definitivamente tudo isso do mundo material, que se chegou a supor ser impossível atingir a Verdade através dos sentidos. De fato, Platão não se cansava de elogiar o modo de vida teorético ou contemplativo, mostrando a importância de se aperfeiçoar a alma - a parte mais nobre do homem -, pois era, justamente, por meio dela que se poderia contemplar a Beleza, a Justiça, a Amizade, ou mesmo o Bem, a Ideia suprema, da qual todas as outras provinham. Aparentemente, a filosofia platônica lançava toda a cultura numa crise: se a Verdade só era alcançada pela busca espiritual, tornava-se inútil qualquer forma de pesquisa experimental. A resposta para esse dilema veio exatamente da Academia de Platão, por intermédio de seu discípulo, Aristóteles.



O Estagirita não se rebelou contra o conceito das Ideias, mas discordou de seu mestre ao não situá-las num mundo diverso, onde antes se encontravam absolutamente desligadas da natureza. Na visão de Aristóteles, essas Ideias eram parte constitutiva dos seres criados, sua verdadeira essência, aquilo que, não se transformando nunca, permanecia constante mesmo após a extinção das forças físicas. Desta forma, Aristóteles unia, novamente, o eterno ao passageiro, o espiritual ao material, o sagrado ao profano. A Verdade já não era um bem distante, a qual o homem só poderia atingir através da contemplação; ela também estava na natureza, dando-lhe substrato ontológico, realidade. Isso nos remete necessariamente ao conceito de sacralização presente nas tradições ancestrais. De fato, se analisarmos com cuidado, perceberemos que a linha de pensamento é a mesma: a busca por algo imutável que subsista para além do perecível, e que, unido intimamente a este, proporcione a existência e a ordem a todas as coisas. Na especulação religiosa essa união representava a renovada aliança entre a divindade e o homem. Aristóteles não define isso com tanta clareza, mas é sabido que sua filosofia serviu de base para a obra de São Tomás de Aquino.



Deste modo, chegamos bem próximo ao clímax da nossa jornada, a tal ponto que o famoso questionamento de Pôncio Pilatos - Que é a Verdade? - já não nos parece assim tão enigmático. A religião e a filosofia, ambas em busca do real, e ambas conscientes de que isto não poderia identificar-se intrinsecamente com a matéria perecível, embora pudesse sim estar unido a ela, compartilhar de sua constituição, de maneira presente e não imanente; de mãos dadas, essas duas caminharam juntas procurando aliviar as angústias humanas, amparando-se uma à outra, sempre tão ligadas e tão mutuamente necessárias, que chega a ser risível a oposição entre fé e ciência forjada pela modernidade. A religião olhando ansiosamente para o alto, saudosa da felicidade perdida, e ardendo por uma renovada aliança com a divindade; a filosofia recebendo toda essa tradição, purificando-a de elementos imaginários, e dando-lhe uma forma mais clara e racional. Ao final do período clássico da Grécia antiga, ambas se haviam aproximado bastante da aletheia, quase a tocando, quase a vendo na sua plenitude. Mas se afirmamos que o divino é a Verdade tão procurada, temos que entender a limitação da inteligência humana, só capaz de conhecer em parte esse mistério. Buda, Sócrates e Moisés tiveram acesso, em maior ou menos grau, a essa Verdade, contudo não se pode dizer que a tenham possuído, nem tampouco que se identificassem com ela. De fato, na história da humanidade, apenas um personagem ultrapassou essa fronteira, oferecendo a resposta que Pilatos não foi capaz de enxergar. É no capítulo XIV do evangelho de São João que Jesus Cristo afirma a respeito de si mesmo: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai senão por mim". Todas as perguntas mais fundamentais do ser humano, suas angústias, esperanças e esforços convergiam na direção de Jesus, não apenas como um objetivo, mas principalmente como seu centro. Tendo compreendido esse fato com muita felicidade, Santo Agostinho escreveu em A Cidade de Deus: "Se, de acordo com a opinião mais provável e mais digna de confiança, os homens são todos necessariamente infelizes, enquanto permanecem sujeitos à morte, torna-se preciso procurar mediador que não seja apenas homem, mas também Deus, e por intervenção de bem-aventurada mortalidade, conduza os homens da miséria mortal à imortalidade feliz. Ora, semelhante mediador não devia ser isento da morte nem permanecer para sempre seu escravo. Fez-se mortal, sem enfraquecer a dignidade do Verbo, mas desposando a fraqueza da carne. E não permaneceu mortal na carne, porque ressurgiu dos mortos. Fruto de tal mediação é não permanecerem eternamente na morte da carne aqueles cuja libertação teve de operar. Era necessário, pois, que o mediador entre nós e Deus reunisse mortalidade passageira e beatitude permanente, a fim de ser conforme aos mortais no que passa e chamá-los do fundo da morte ao que permanece". Em Cristo se realizava a mais perfeita união entre Deus e sua criatura, renovando-se uma aliança rompida há tempos. Aliança eterna, que se dá na pessoa e no sacrifício do Filho, Aquele que toma sobre si toda a culpa do mundo e, aceitando sofrer a violência, refaz a harmonia entre o espírito e a matéria, as duas partes litigantes. Cristo é Deus e é homem em pacífica comunhão, e dá-se a si mesmo aos irmãos a fim de que estes também possam viver essa tão ansiada comunhão, antecipada nas tradições primitivas pela prática de sacralizar todas as coisas. Cristo é também Aquele que rompeu a barreira da morte, a ditadura do devir ininterrupto, e abriu as portas para a imortalidade. Através Dele o homem retorna ao Paraíso, recuperando sua maior felicidade, agora um bem constante, não sujeito aos perigos do tempo. Sem dúvida alguma, se o divino era a Verdade tão buscada pela religião e pela filosofia, podemos afirmar, como disse São João, que Ele "... se fez carne a habitou entre nós". E é por isso que, se antes podíamos falar da Verdade como algo a ser conhecido em parte, podemos hoje falar dela como aquilo que não somente podemos conhecer, mas podemos também comungar.


Obrigada por compatilhar de seus conhecimentos... Christiane.

sábado, 8 de agosto de 2009

SOU COMO UMA ÁGUIA!


No mundo inteiro, a águia é símbolo de nobreza. Pela sua força, alteza e vigor, ela desponta-se como campeão indiscutível deste símbolo de grandeza. A águia é forte, viva, corajosa, vencedora, símbolo dos fortes e do guerreiro. É um povo que triunfa sobre as tempestades. É um povo vencedor. É um povo que não retrocede diante das dificuldades da vida, não teme o perigo, nem se intimida com as ameaças de ninguém.

O caminho da águia é no céu . Ela não foi criada para viver arrastando-se nos vales da vida e nas depressões da terra. A águia voa alto. Ela tem vocação para as alturas, ela é a rainha do espaço e voa cada vez mais alto. Ela tem uma característica muito interessante. Quando ela faz seu segundo vôo ele é mais alto do que o primeiro. Quando ela faz o seu terceiro vôo, ele é mais alto do que o segundo, ela sempre se esforça para voar cada vez mais alto, com isso ela tem uma lição muito profunda a nos ensinar, Podemos ter uma vida de altos e baixos. Quem oscila demais são instáveis a onda do mar. Não se firmam, não crescem, não amadurecem, são reincidentes em repetidas quedas.

A águia voa acima da tempestade. A águia ainda nos encima uma terceira lição: sempre que divisa no horizonte a chegada de uma ameaçadora tempestade, sempre que vê as nuvens escuras e os relâmpagos riscando o céu, sempre que ouve o ribombar dos trovões, ela agiganta ainda mais os seus esforços e voa com intrepidez para as grandes alturas, pairando acima da tempestade, onde sobrevoa em perfeita bonança, temos também, em nossa jornada muitas tempestades. Muitas delas são ameaçadoras e perigosa é insensatez viver abaixo e sofrer os efeitos catastróficos da tempestade. O segredo na hora da crise é voar um pouco mais alto e agasalharmos debaixo de nossas assas . Ele é a nossa torre de libertação.

A águia é transparente, ela tem uma capacidade fantástica de voar em linha reta como uma fecha, como um projétil. Seu vôo não é em círculo, nem sinuoso. Que lição isto nos comunica ? Não tememos nada , ou seja, precisam ser transparentes e íntegros. Se há sinuosidades, não pode ter nada escondido e secreto, devemos viver na luz, sem máscaras e sem disfarces, nossa palavra precisa ser sim, sim; não, não. CORAGEM!!!!

A águia voa reto porque tem um alvo definido. Ela sabe de onde veio e para onde vai. Ela não vive sem rumo, sem referencial, sem destino certo. Ela voa para frente. Não esta perdida existencialmente. Não vive estagnada como a preguiça. Não anda para trás como o caranguejo. Revela no seu vôo desenvolvimento, progresso, crescimento, avanço. A pessoas que diferentemente da águia, são como o urubu. O vôo do urubu não é em linha reta, mas em círculo. Ele voa para lugar nenhum, ele voa sem Avançar para frente, sem progredir.

Visão integral. A águia tem a capacidade de enxergar em todas as direções, por todos os ângulos em todas as perspectivas. Ela enxerga para frente, dos lados e, com pequeno esforço da cabeça, também enxerga para trás. Ela enxerga num raio de 360 graus. Sua visão é global. Ela vê tudo, percebe os detalhes e toma sempre a melhor direção. Precisamos ter uma visão abrangente e dilatada das coisas. Sou Católica Apostólica Romana porém, não pode ser uma pessoa bitolada, de mente estreita. A Águia não pode apenas enxergar seu micro universo como se estivesse olhando para um tubo.

Pleno discernimento. A visão é um dos prodígios mais fantásticos da criação. Nosso olho é mais complexo do que a mais intricada invenção humana. O olho é um dos órgãos mais extraordinários do corpo. Segundo o famoso oftalmologista John Wilson, temos mais de 60 milhões de fios duplos encapados em cada olho. Nosso olho é infinitamente mais sofisticado que a mais modernas câmaras de imagens que o homem já inventou. Uma das coisas mais interessantes que temos em nossa visão é a capacidade de, num quadro geral, focar um ponto especifico, concentrando nossa atenção nele, sem perder a imagem global do cenário!

Precisamos ter uma clara visão do alto. A águia é a única ave que pode mirar o sol de frente sem ficar deslumbrada. E Deus quer que os seus filhos vejam o que os outros não podem ver.

Liberdade sim, cativeiro não. A águia é uma ave que ama a liberdade. Ela tem intimidade com as alturas. Não sabe viver em cativeiro. Não consegue viver em gaiolas. Não sobrevive enjauladas em zoológicos. Ela morre mas não fica cativa, ela não aceita outra condição para sua vida se não a liberdade. Nós também fomos chamados para a liberdade.

Fidelidade. A águia tem uma característica muito interessante. Ela não é como as outras aves na área do acasalamento. As aves domésticas não observam a lei da relação restrita. Apenas um galo, por exemplo, cobre dezenas de galinhas. O comportamento da águia é diferente, ela observa o principio da fidelidade ao seu parceiro.

Quebrantamento e renovação. Uma das características mais interessantes da águia é sua renovação. Davi expressou esta idéia no Salmo 103:5 “ …. Deus, é quem farta de bens a tua velhice, de sorte que a tua mocidade se renova como a da águia” . Como se dá esse processo? A águia, quando começa a sentir que suas penas estão ficando velhas e enferrujadas, quando começa perceber que o seu bico já não está tão afiado e forte; quando descobre que suas garras já estão enfraquecendo, toma uma medida drástica, quase traumática para sair deste quadro desolador. O que ela faz ? A primeira coisa que a águia faz é interromper as suas atividades, ela não prossegue o seu trabalho, seus vôos, sua casa, suas aventuras, fecha sua agenda e cancela os compromissos. Há momentos em que a melhor ação é ficar parado. Nem sempre é prudente avançar, Deus não está interessado em ativismo. Ele está mais interessado no que somos do que naquilo que fazemos, trabalho sem vida é infrutífero. Ativismo sem santidade não agrada o coração de Deus, precisamos aprender com a águia.

A segunda coisa que a águia faz é isolar-se nos altos dos penhascos, a águia é uma ave solitária, ela não voa em bandos, sobretudo, quando está nesse processo de alta renovação, ela alça um vôo altaneiro, galga as alturas mas excelsas e refugia-se no cume dos mais altos penhascos. Ali ela fica sozinha, isolada enfrentando a sua própria realidade.

A terceira coisa que a águia faz é arrancar suas penas velhas, a águia ao chegar ao cume do penhasco, começa arrancar com o bico uma, uma de suas penas. Não poupa a si mesma dessa dor intensa, as penas são todas arrancadas, seu corpo vai ficando desfigurado, a medida que ela aplica os seus golpes severos, sua medida é drástica, sua postura radical. Não há restauração, sem reforma antes de edificar e construir, é preciso derrubar e demolir, antes da renovação vem o despojamento, antes do avivamento vem o quebrantamento. A águia depois que acaba de arrancar todas as penas, fica num estado deplorável, seu corpo parece mutilado. Sua aparência fica desfigurada, contudo, depois de alguns dias, começam a nascer penas novas, lindas e fortes, ela se remoça. Tudo se faz novo. Ela ganha uma nova aparência.

A quarta coisa que a águia faz é esfregar o seu bico na rocha. A águia não arranca não as penas velhas, mas quando percebe que o seu bico já está ficando fraco, impotente e cheio de crosta, ela o esfrega fortemente na rocha; esfrega-o, esfrega-o, até ficar em sangue vivo, após este processo doloroso ela fica totalmente desfigurada, mas dias depois, cresce um bico novo forte como aço.

A quinta coisa que a águia faz é bater suas garras na rocha. Nesse processo de alto renovação quando percebe que as suas garras estão fracas e impotentes, a águia bate as com força sobre a rocha, várias vezes até que aquela camada envelhecida e calosa seja arrancada, ficando em carne viva. Ela fica toda ensangüentada, sobre o flagelo de dores crudelíssimas. Todavia, após este processo de autoflagelação e quebrantamento, as garras começam a brotar com toda pujança e vigor, fortes como o ferro. Agora remoçada, revitalizada, ela desce das alturas para dar continuidade a sua vida e as suas atividades.


E a Águia com os filhos???? Uma das características mais interessantes da águia é o seu cuidado com os seus filhotes, certamente devemos olhar para a águia e aprender com ela como devemos cuidar da família, a águia não põe o ninho dos seus filhos perto dos predadores em lugares baixos e perigosos. A águia não espõe seus filhos as bestas feras, ela não os deixa e, lugares vuneráveis. Pelo contrário, ela só faz o seu ninho no alto dos rochedos, no cume dos penhascos.Ela é zelosa em colocar o ninho dos seus filhos nas alturas.

A águia voeja sobre os seus filhos. “ Como a águia desperta a sua ninhada e voeja sobre os seus filhotes, estende as suas asas, e, tomando-os, os leva sobre elas…” Quando os filhotes da águia já estão grandes, na hora de sair do ninho, a águia então, começa a voejar sobre o ninho mostrando-lhe como sair.
A águia tira a maciez do ninho e só deixa os espinhos. Quando a águia percebe que é hora de seus filhotes voarem e ainda assim eles continuam acomodados no ninho, a despeito de seu exemplo, ela decide remover do ninho toda a cobertura macia e deixa apenas os espinhos e os gravetos pontiagudos. Ela gera um desconforto para os filhos. Ela não deixa de amá-los por isso, mas prefere vê-los incomodados a ficarem acomodados no ninho. O conforto do ninho significa agora estagnação, imaturidade, inoperância e atrofiamento. A águia não hesita em aplicar esta lição aos filhos, ainda que uma lição dolorosa. A águia tira os filhos do ninho. É estonteante constatar que, mesmo afligidos com espinhos e alfinetados por farpas pontiagudas, os filhotes da águia ainda teimam em continuar no ninho...

Não nossa missão é ultrapassar aquela fronteira e ir até os confins da terra. Até o desapego das Águias é admirável!

Sou uma Águia!
Christiane.
OBS: Obrigada Rubens por me lembrar disso...








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